segunda-feira, 7 de janeiro de 2013


Extreme - More Than Words

Eu, Shit I'd Like To Forget, gostava de começar por pedir sinceras desculpas por não ter existido no mês de Dezembro. Sou (ou era) um crente no fim do mundo sugerido pelas interpretações contemporâneas das teorias Maias e investi as minhas poupanças num bunker anti-apocalipse. Fiquei, como podem imaginar, extremamente desiludido.

Mas a vida continua e há que superar estes momentos difíceis. Por isso pensei: para compensar a ausência de fim do mundo, nada como uma música do outro mundo. E com este mote regresso à actividade partilhando este maravilhoso tema dos Extreme, "More Than Words", de 1990, de beleza extra-planetária e que obteve um sucesso estrondoso, em particular em acampamentos de escuteiros.

É uma canção que se insere no belo universo de homens de fartos cabelos, que apesar de geralmente tocarem música rebelde e barulhenta, também sabem proferir lindas palavras e melodias num ambiente mais intimista (como eu adoro a palavra "intimista"). O vídeo da música relata isso mesmo, começando com os 2 elementos da banda que não participam nesta obra prima a desligar o amplificador e a arrumar as baquetas. Uma escolha acertadíssima, não fossem as pessoas pensar que os Extreme não rockavam.

São vários os factores que fazem de "More Than Words" a música que mais rapazes adolescentes aprenderam a tocar para tentar mostrar às raparigas de quem gostavam que tinham um lado sensível, na esperança de se estrearem na ciência do beijo francês, vulgo linguado. Mas só um ouvido atento e treinado consegue perceber e captar a essência do tema, a característica que o torna especial e único sem a qual estaríamos apenas perante um tema muito bonito. Refiro-me à sua Portugalidade.

Muitos não sabem, mas este tema está cheio de Portugalidade. O guitarrista, co-compositor da canção e 2º vocalista da banda com voz de rouxinol é o português Nuno Bettencourt. A bandeira de Portugal está sempre presente (minutos 0.40, 0.52 em diante, 2.11 em diante). Na bem humorada cena em que os músicos não participantes acendem os isqueiros (minuto 2.11 em diante) o jornal em cima da mesa é O Independente, a revista que o baterista tem no colo a Super Jovem e os sapatos que ostenta foram feitos na Fábrica de Calçado Evereste, em São João da Madeira.

A verdade é esta: à Portugalidade se deve tão bela criação.

Espero que sirva para nos relembrar que, por muito que deixemos que nos espezinhem e enganem, por muito que assistamos serenamente à decapitação dos nossos sonhos e que nos façam comprar a fome dos nossos filhos, somos sempre um grande povo.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012


Pedro Abrunhosa - Momento (Uma Espécie De Céu)

Sei que prometi dedicar o mês de Novembro  ao amor de cabeludos em ambiente acústico, mas a natureza despótica com que governo este blog faz com que não cumpra as promessas que faço. Não admito qualquer tipo de censura a este comportamente, limito-me a imitar os exemplos governativos dos que me rodeiam.

Assim sendo, eis que chega finalmente a hora de homenagear Pedro Abrunhosa.
Escolhi para representar a sua eclética obra um tema de 2002 chamado "Momento (Uma Espécie De Céu)", onde a veia poética do aclamado compositor português atinge o seu pico máximo.

Foi o primeiro single do álbum "Momento", de 2002, que mostrou que Pedro não era só um artista que usava óculos escuros e que dizia palavras proibidas relacionadas com sexo. Foi a transição definitiva do Pedro adolescente rebelde para o Pedro maduro parolo, meta que parecia já almejar com perícia em álbuns anteriores e que consegue com maestria neste.

Esta canção foi escolhida porque, para além de ter um bom gosto extremo (uma constante na carreira do cantor), é uma das mais belas simbioses entre música e vídeo que Portugal conheceu. É uma música que se tornou no símbolo de um novo movimento artístico vanguardista que nasceu no nosso país e que certamente terá eco no futuro no mundo inteiro (só não teve ainda porque é um movimento mesmo muito vanguardista). Falamos (adoro falar no plural quando sou só eu a escrever), como já devem ter percebido, do "Movimento Literal Absoluto".

De facto, este teledisco é uma verdadeira obra digna de exibição permanente em Serralves e de constar nos próximos livros de história de arte. Terá, a meu ver, importância similar ao quadrado preto sobre fundo branco do Malevitch ou ao urinol do Duchamp. Nunca se viu nada igual. Estamos perante uma criação e uma experiência absolutamente pioneira e inovadora, que mudou para sempre a forma como olhamos para a arte em geral e para literalidade em particular.

Na realidade, a revolução artística operada por este teledisco, que deu origem ao "Movimento Literal Absoluto", ocorre sobretudo entre o minuto 0.53 e o minuto 1.43. Neste curto espaço de tempo temos um sem número de imagens cantadas que são literalmente correspondidas em filme (um pedaço de mar, uma mão que doeu, uma toalha no chão, uma sombra sozinha, uma garrafa vazia, um cinzeiro apagado, um hotel numa esquina, um café a fechar, um aviso na porta, um bilhete no ar, uma praça aberta...). A literalidade absoluta também pode ser encontrada ao minuto 3.03 (um semáforo aberto) que é seguido de um dos mais belos e imortais versos da canção "uma ferida que doi, não por fora, por dentro."

Não tendo autoridade nem capacidade intelctual para perceber ou explicar esta masterpiece, contento-me com a contemplação da mesma e com os sorrisos que me trás. Aliás, Pedro sempre me soube fazer sorrir, ou não fosse dele o melhor momento de televisão da minha vida, que tive a felicidade ver em directo - Queda de Pedro Abrunhosa

Pedro, como já percebemos, nasceu para liderar. É, por exemplo, um dos líderes da contestação do uso de línguas estrangeiras pelos músicos portugueses. Diz ele que "as bandas (portuguesas) que cantam em inglês estão a fazer um retrocesso na cultura portuguesa.". Já eu acho que a carreira do Pedro é um retrocesso na cultura mundial. Mas como ele vende muitos discos deve saber do que fala.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012


Mr. Big - To Be With You

Novembro vai ser um mês dedicado ao amor de gadelhudos em ambiente acústico. Dedicado àquelas canções que tocaram o coração de todos nós devido à sua terna e dedicada beleza, cuja criação só está ao alcance de certos seres humanos (normalmente do sexo masculino) com fartos cabelos que necessitam de um cuidado superior ao de um recém nascido.

É o caso dos Mr. Big, com o lendário tema "To Be With You", nº 1 em 1991 em 15 países (aposto que Portugal foi um deles mas não tive acesso aos dados). Estes rockeiros, claramente fãs dos Europe e dos Van Halen, conseguem mostrar que têm tanto para dar num grande palco como na intimidade de um quarto e é fácil (e também nojento) imaginar qualquer um deles de roupa interior e de guitarra em punho a cantar esta música à namorada antes de uma noite de paixão.

Dentro deste inesquecivel tema, há 2 momentos que gostava de partilhar com todos vós:
- o solo colorido, que começa ao minuto 1.52, que tem tanta vida dentro dele que o próprio vídeo ganha cor.
- a subida de tom do minuto 2.28, que cria um momento épico (todas as subidas de tom o fazem) mas que é seguido de uma inesperada descida de tom ao minuto 2.50. Não manter a subida de tom até ao fim demontra que os Mr. Big são capazes de sair da sua zona de conforto em prol do sentimento, mas sem nunca deixarem de ser os rockeiros irreverentes que são.

sábado, 27 de outubro de 2012


Enigma - Return to Innocence

Estive a adiar este momento o mais que pude porque sabia que quando chegasse, fantasmas antigos e assustadores voltariam para me atormentar e retirar toda a tranquilidade e paz de espírito que entretanto consegui ganhar desde que tomei a crescida descisão de deixar de ouvir a Rádio Cidade.

Mas não posso continuar a adiar o inadiável e chegou a hora de relembrar o inexplicável êxito mundial "Return to Innocence" dos alemães "Enigma" (é impressão minha ou os alemães, quando é para bater no fundo, fazem-no como ninguém, não fossem de lá os "Scooter", os "Scorpions" e os "Tokio Hotel") . A análise a este tema vai ser, contudo, superficial. Não tenho coragem para rever isto muitas vezes.

O início da música podia ser um anúncio para o novo perfume de Paco Rabanne. O resto da música podia ser uma encomenda das Nações Unidas para a banda sonora de uma conferência sobre o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. Os ecos gritam azeite. Os intermináveis coros que preenchem os refrões rivalizam com a voz da rapariga do Exorcista quando pensamos em vozes que encarnam os monstros nos nossos pesadelos. O vídeo podia ser (todo ele) o genérico do Regiões.

Finalmente, para não pensarem que eu só digo mal, a utilização do reverse na filmagem merece todo o meu respeito. Julgava eu, até ver este vídeo, que era humanamente impossível utilizar este efeito e ter algo absurdamente aborrecido e desinteressante. Afinal é.

domingo, 21 de outubro de 2012


Pingo Doce - Venha Cá

Faltou-me o tempo em absoluto esta semana. Tive de arranjar uma coisa curta, que justificasse um texto também curto, mas que mantivesse o sabor a música que cantarolamos sem querermos e que nos dá uma vontade incontrolável de nos submetermos a uma tortura medieval por estarmos a fazê-lo.

Acho que me safei

sábado, 13 de outubro de 2012


Peter Andre - Mysterious Girl

- Boa tarde Peter Andre, muito obrigado por nos conceder esta curta entrevista. Queria começar por perguntar como surgiu a vontade de ser cantor.
- Olá, boa tarde. Antes de mais queria mandar boas vibrações para todos os fãs de Peter Andre. Sobre a pergunta, a vontade de ser cantor surgiu desde criança na Austrália. Eu estava sempre a cantar. No duche, enquanto surfava, no ginásio... as pessoas até diziam "Peter man, tu cantas muito bem, mas o que é demais é demais!". (risos).

- E quando decidiu iniciar a sua carreira a solo?
- Foi tudo muito natural. Os meus amigos incentivavam-me muito, diziam que eu, para além de cantar bem, era parecido com o David Charvet e que seria certamente bem sucedido e eu, quando fiz 18 anos em 1991, decidi fazer a cena a sério e iniciar a minha carreira de cantor.

- O seu primeiro álbum "Peter Andre" foi um sucesso, mas foi com o 2º álbum "Natural", em 1996, que atingiu o estrelato planetário, sobretudo com o single "Mysterious Girl", lançado no ano anterior. Como surgiu a ideia dessa música e do vídeo?
- A ideia da música veio um dia numas férias que passei na Tailândia ou na Jamaica ou assim. Eu e o meu amigão Bubbler Ranx, o man que faz o ragga/rap da música, estávamos numa praia a fazer abdominais e decidimos fazer uma música sobre uma rapariga misteriosa que tinhamos visto na mesma praia no dia anterior, quando estávamos a fazer a nossa corrida diária. Depois pensámos que devíamos fazer um clip que mostrasse a nossa vida nessas férias que foram inesquecíveis.

- No clip vêmo-lo constantemente a dançar. Podemos dizer que Peter Andre não é só um cantor mas também um dançarino?
- Sem dúvida. Eu tenho o pacote todo. Canto, danço, e faço mais coisas. E para mim dançar bem é tão importante como cantar bem. Tive 8 anos de aulas de danças latinas e, mais tarde, 5 anos de aulas de dança de hip hop. E sobre as danças, há uma coisa engraçada que eu queria dizer. As cenas de dança na água estavam para ser cenas de surf, mas o man responsável por trazer as pranchas no dia das filmagens embebedou-se na noite anterior e esqueceu-se delas em casa (risos). Na altura ficamos chateados, mas depois acabou por se dar a volta e penso que as cenas de dança dentro de água ficaram altamente.

- Uma das coisas que mais chama a atenção neste vídeo é o brilho intenso dos corpos, que é um verdadeiro esplendor visual. Como se chegou a esta ideia?
- Foi uma ideia que, inicialmente, surgiu da Piz Buin, que patrocinou o vídeo. Foi uma ideia com a qual todos concordámos porque era de facto muito bonita.

- E o que é feito de Bubbler Ranx? Ouvem-se rumores de que ele foi visto a trabalhar num Tesco em Lewisham.
- Não é verdade, era num Sainsbury em Lewisham. Eu agora tenho de ir para o soundcheck.

- Ok, muito obrigado Peter Andre.
- De nada. Até jah.

sábado, 6 de outubro de 2012


Polo Norte - Estou a aprender a ser feliz

Inicialmente fiquei aborrecidíssimo  por saber que não havia um teledisco para "Estou a aprender a ser feliz", um clássico dos Polo Norte e do pop/rock português que imortalizou a sublime imagem da "guitarra que só toca por amor".

Mas depois descobri que um fã tinha feito esta bela homenagem fotográfica à canção, mostrando que também ele vai aprendendo a ser feliz, inspirado por tão bela melodia.

O meu dia já estava ganho na primeira foto (e no título mal escrito, claro). Por isso, todas as outras fotos que vão aparecendo neste magnifíco slideshow são só um bónus, nomeadamente as várias em que o fã em questão está a fazer com as mãos um sinal semelhante ao "V de vitória" com a palma das mãos viradas para si, (o que significa, para quem não sabe, mais ou menos "vai para o caralho" em vários países nomeadamente no Reino Unido). A foto dos olhos verdes é claramente a cereja em cima do bolo.